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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Compaixão, Simpatia e Empatia

   A Compaixão, a Simpatia e a Empatia nem sempre são adequadamente entendidas. Cada uma destas palavras é ambígua, ou seja, pode assumir diferentes significados, e todas podem ser confundidas entre si. Um ponto comum todas é que se referem a uma relação frente ao sofrimento.

A palavra compaixão, tem origem latina, enquanto que simpatia e empatia têm origem grega.

Compadecer é “sofrer com“. Ter compaixão é a virtude de compartilhar o sofrimento do outro. Não significa aprovar suas razões, sejam elas boas ou más. Ter compaixão é não ter indiferença frente ao sofrimento do outro. David Hume, quando definiu o termo Simpatia, no seu Tratado da Natureza Humana (A Treatise of human nature. 1738) dizia: “Ninguém é completamente indiferente a felicidade ou a miséria dos outros”.Algumas pessoas entendem que isto não é uma virtude, mas sim um sentimento, que pode receber a denominação de Simpatia ou de Empatia.

Também existe a confusão entre Compaixão e Piedade, que é sentir-se triste com a tristeza dos outros. A Piedade aumenta a tristeza, a infelicidade. Esta confusão se ampliou com a obra de Scheler “Sympathie”, escrita em 1923. Nesta obra Scheler equiparou Simpatia com Piedade.

A idéia de que a Simpatia é um sentimento que vincula as pessoas umas às outras foi proposta por David Hume. Em seu livro Tratado da Natureza Humana, escrito em 1738, ele propôs que:

Nenhuma qualidade da natureza humana é mais importante, quer por si, quer por suas consequências, do que a propensão que nós temos para simpatizar uns com os outros, para receber por comunicação suas inclinações e seus sentimentos, por mais diferentes que eles sejam dos nossos, ou mesmo contrários… A este princípio é que devemos atribuir a grande uniformidade que podemos observar nos humores e nos modos de pensar dos membros de uma mesma nação: é muito mais provável que esta semelhança surja da simpatia do que da influência do solo e do clima, os quais ainda que permaneçam os mesmos, não conseguem manter inalterado por um século inteiro o caráter de uma nação.”

John Gregory,  o grande médico escocês que estabeleceu, no século XVIII, as bases para a Ética Médica contemporânea, afirmava que a Simpatia era fundamental para uma adequada relação médico-paciente. Adam Smith, que neste mesmo período era professor de Ética também em Edimburgo, tomando as idéias de Hume por base, propôs que a Simpatia é  base da vida moral, entendendo-a como a “faculdade de participar das emoções de outrem, sejam elas quais forem” (Theory of Moral Sentiments, 1759)Todos estes autores fizeram parte do movimento caracterizado como  Iluminismo ou Esclarecimento Escocês.

Empatia, por sua vez, é olhar com o olhar.do outro, é considerar a possibilidade de uma perspectiva diferente da sua. A falta de empatia é desconsideração, é não permitir diferentes percepções. A falta de empatia desconsidera a pessoa em si, os seus valores, o seu sistema de crenças ou os seus desejos. Para alguns a Empatia refere-se a Estética, e não a Ética propriamente dita.

Em suma, a Empatia é sentir-se como se sentiria caso se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por uma outra pessoa.

Na obra “A História do Rei Lear” (texto quarto, cena 13), William Shakespeare descreve magistralmente o que é esta relação  com o sofrimento.

Edgar
(…) Quem sofre sozinho, sofre muito mais em sua mente (espírito). Deixa para trás a liberdade e a alegria. Mas a mente (espírito) com muito sofrimento pode superar-se, Quando a dor tem amigos e suportam a sua companhia, quão leve e suportável a minha dor parece agora. (…)

Por José Roberto Goldim
Shakespeare W. The Complete Works.  Oxford: Clarendon, 1991:928-929.
Comte-Sponville A. Pequeno tratado das grandes virtudes. São PAulo: Martins Fontes, 1005:115-129.

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